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Meu filho não quer dormir!

Fevereiro 8, 2018

Fazer a criançada dormir! Essa é, certamente, uma das tarefas mais difíceis para nós, mamães. Quem nunca presenciou cenas de manhas e até choros, deixando o momento, que era pra ser tranquilo, em algo extremamente estressante?

Já passei por isso tantas vezes, que acabei criando uma rotina estratégica para fazer a Júlia dormir sem drama.

Eu intercalo leitura e iPAD. Sim, iPAD. Os eletrônicos são condenados pelos especialistas e eu concordo. Mas utilizo para incentivar a leitura e assistimos um vídeo tranquilo e calmo. E desligamos um tempo antes de fechar os olhos, assim ela vai desligando os faróis aos poucos.

Além disso, faço massagem nas pernas, bracinhos, costas, barriga e um belo cafuné relaxante. Uma coisa importante. Tudo é feito com a luz baixa do abajour e o restante da casa apagada. Mesmo que eu não vá dormir naquela hora, é essencial transmitir a sensação de que a casa toda vai descansar. Quando ela apaga, eu me dedico a fazer tudo o que está faltando.

Bom, isso é o que eu faço, mas nada melhor do que a palavra de quem mais entende do assunto, não é mesmo? Por isso, chamei a Lívia Praiero, consultora do sono Materno Infantil, para falar melhor sobre o sono da criançada.

Como fazer a criançada dormir?

“Crianças de idade entre 3 a 5 anos tem necessidades de muitas horas de sono, como os bebês. Segundo Kim West, autora do livro ‘The sleep lady’s good night, good tight’, a média de sono diária destas crianças é em torno de 10 a 12 horas de sono noturno, podendo ainda considerar a necessidade de sonecas em dias de muita atividade.

Você pode estar pensando que isso é muito? Na verdade, nossa rotina corrida, muitos equipamentos eletrônicos ao redor e atividades que duram até tarde da noite, têm transformado a rotina de nós adultos e, por consequência, refletido na rotina de nossos filhos. Podemos chamar de ‘geração superexcitadas’ que sim, sentem dificuldade para relaxar, ou seja, não conseguem dormir com facilidade. Pedem água, companhia, se distraem na TV, não conseguem se concentrar para dormir. Muitas das vezes, nem o ambiente é propício para o sono.

Essa privação de sono (lê-se, uma criança desta idade dormir menos do que necessita), pode não nos parecer um problema agora, mas atentem-se: é um grande problema. As horas de sono perdidas hoje impactarão no futuro! Não só no desenvolvimento cognitivo, como no desenvolvimento motor e até na obesidade. Já existem estudos que comprovam todos esses reflexos negativos e que justificam epidemias de depressão em tenra idade, obesidade e dificuldades de concentração e aprendizado.

Nossa sociedade está tão envolvida em suas mil atividades, obrigações, agenda lotada que não percebe que estão levando os filhos no mesmo ritmo, ou seja, nem tem a oportunidade de ficar em casa e ter um momento de sono preservado. Me deparo com crianças tarde da noite nos shoppings, bares, aniversários, supermercado…entendo que não conseguimos alguém para fazê-los companhia, mas será que não poderíamos poupá-los dessa agenda extra? Já pararam para pensar que nós, na idade deles, mal saíamos aos finais de semana? Nossos pais não viviam nessa velocidade e sim, preservavam nosso sono. Entendiam sua importância, seus impactos positivos e negativos. Com um olhar mais atento, davam o jantar mais cedo, nos impediam de assistir TV pós jantar, liam livros, recolhiam-nos a atividades mais calmas e favoráveis ao sono.

Não pensem que vou levantar a bandeira slow down, não consigo desacelerar minha rotina, quiçá de outras famílias, mas sim, peço que se atentem em ao menos preservar a hora de sono dos seus filhos. É o famoso ritual do sono, tão claro para pais de bebês, mas logo perdidos com o desmame dos filhos. O ritual do sono consiste em se recolher com o filho, 30 minutos antes da hora de dormir (pasmem, até os 6 anos a academia americana de pediatra preconiza que sejam colocados para dormir às 19:30h) para ficarmos 100% entregues a eles: olho no olho, não compartilhando a TV. Nossos filhos relutam para dormir porque no fundo sentem falta de jantar sem TV, de conversas conosco sem o celular interrompendo, de um quartinho escuro e calmo, com os pais ao lado. Não, você não o fará dormir, mas saiba que por muitos anos ele precisa de sua companhia para relaxar, se sentir seguros e dormir. Quanto menos bebê, mais ele precisa da sua presença!

Separe esses 30 minutos, fique com ele! Depois terá o resto da noite para colocar suas coisas em dia, fazer as compras, ler as mensagens perdidas…e seu filho, várias noites de somo, para manter seu pleno desenvolvimento! Não querem dormir, não sentem sono, não querem ficar sozinhos? Dediquem-se a momentos a sós e descobrirá o quão dorminhoco seu filho é! Sono é segurança. Sua presença trará o sono de volta!”

Lívia Praeiro, fundadora do 8 horas – Consultoria do sono Materno Infantil, mãe do Miguel e da Maria Luísa

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