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Uma mãe, uma história

agosto 2, 2015

Sou mãe da Lara de 2 anos e 9 meses. Sempre quis ser mãe, mas não tinha ideia de quando isso iria acontecer . Quando fiquei grávida , no início de 2012, aos 29 anos, fiquei super contente , pois já  estava casada há 4 anos e queríamos muito um novo integrante para fazer parte de nossa família .
O processo de engravidar em si não foi muito complicado ,mas a decisão de começar a tentar foi muito difícil pois eu tinha 3 miomas enormes . Quando descobri que tinha esses miomas fui a vários médicos . Alguns disseram que eu não poderia ser mãe , que era para desistir . Outros falavam que eu deveria fazer uma cirurgia para retirá-los, só assim poderia tentar engravidar . Minha salvação foi encontrar um médico que me sugeriu : primeiro tentar engravidar, e só depois pensar em uma eventual cirurgia . E como eu ainda nao havia tentado resolvi pagar pra ver . Felizmente deu certo! Em dois meses já estava grávida . Uma vez grávida , não havia grandes riscos , já que os miomas estavam na parte exterior do útero .

Minha gravidez foi bem tranquila , enjoei como é normal no três primeiros meses , mas no quarto mês todos os sintomas indesejáveis pararam . Por eu sempre ter praticado exercícios, minha médica liberou hidroginástica e alguns exercícios funcionais. Pelo fato dos miomas serem enormes ( o maior tinha 8 cm) , era melhor não pegar pesado, pois não sabia como meu corpo iria reagir , então preferi ter cautela . Fiz bastante hidro, o que foi ótimo. Ia caminhar no parque sempre que podia e procurei me  alimentar de uma forma saudável, dentro das minhas possibilidades naquele momento, ja que estava trabalhando e a variedade de restaurantes na minha área nao era muito grande.

Tudo correu bem , tanto que decidi tentar parto normal , pois só havia engordado 13 quilos e estava com 40 semanas e super disposta . A bolsa rompeu e fui para a maternidade . Fiquei horas em trabalho de parto mas não tive dilatação . Fiquei triste comigo mesma , como se tivesse fracassado no final , depois de uma ótima gestação , sem inchaços nem azia . Quando minha médica começou a cesariana , me senti fraca , sem ter o controle da situação . Hoje eu vejo como era imatura , já que ser mãe é exatamente nunca ter o controle de tudo . Fazemos o melhor que podemos, mas sem aquela neura de acertar tudo sempre.
Saber que eu não tinha o controle de tudo foi a minha maior dificuldade no pós parto . Eu ficava insegura em relação aos cuidados com a minha filha , com a nova rotina da casa. E olhava para meu corpo inchado no espelho, e pensava: será que vou voltar a recuperar a minha forma de antes?

Eu não me reconhecia. Não sabia amamentar e estava a ponto de explodir de tanta pressão e expectativa que havia colocado em mim mesma. Foi aí que entendi que tudo tem seu tempo . O corpo volta com o tempo , a adaptação à nova rotina de cuidados com o bebê também, e o resgate  da nossa identidade como mulher, idem . Tudo acontece de forma natural e, é claro, com muito esforço, dedicação e organização .
Voltei a treinar quando a Lara tinha um mês . Como não tenho babá, esperava as horas que meu marido estava em casa e ia dar uma caminhada . Fui também reaprendendo a comer um pouco menos em cada refeição e voltei a comer de três em três horas . Em pouco tempo, perdi 10 quilos . A maior dificuldade está sendo perder esses três últimos , que parecem não querem sair nunca mais! ( risos)

Quando a Lara tinha 8 meses, contratei uma personal trainer especializada em pós parto e gestação . Foi muito importante treinar com a Melissa Cirello nesta fase , já que meu corpo precisava se recondicionar aos poucos  até estar preparado para os exercícios mais intensos . Eu e a Mel fomos intensificando os treinos e quando a Lara fez um ano , tudo já estava melhor . Hoje continuo treinando e cuidando da alimentação , faço muito mais restrição do que antes da Lara nascer e me sinto bem assim . Deixo as besteiras para ocasiões especiais.
Outro ponto importante que ficou mais evidente ao me tornar mãe foi a minha deficiência visual . Eu nasci com baixa visão porque minha mãe teve toxoplasmose quando estava grávida de mim e, com isso, tive um problema irreversível em ambas as retinas . Para piorar , em 2013 , tive descolamento de retina no meu melhor olho, perdi mais um pouco do pouco que eu tinha, e eu tive que parar de amamentar quando ela tinha 3 meses . porque fiz cirurgia e tive que ficar de cabeça baixa para ajudar no pós operatório. Foi um período bem difícil , mas com fé e  força de vontade aos poucos, tudo foi melhorando . As vezes achava que não conseguiria fazer tudo e tive vontade de desistir . Achava também por causa da minha deficiência que não seria uma mãe como as outras . Mas tentei , errei, acertei e acho que encontrei o equilíbrio .

Hoje , sei que não vou poder fazer algumas coisas com ela como dirigir por exemplo , mas ao falar da minha deficiência com naturalidade e leveza , noto que ela já entende que a mamãe tem uma lupa para ler , que a mamãe assiste televisão de perto e que com todas as dificuldades a Lara tem uma mãe que a ama muito e fará de tudo para ser a mãe que ela merece ter. Porque ela é uma criaturinha adorável, muito esperta e inteligente.

Para dividir minha experiências de mãe com baixa visão , criei meu blog , o Eye Candy www.aninhawagner.com.br . Até mesmo como uma forma de mostrar que tudo é possível , basta querer, ser persistente e ter foco.

Beijos

Aninha Wagner

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